Elas avisam: algo está errado. Mas
preferimos pensar que vão passar depressa a procurar um médico. É aí que
muitas vezes damos de cara com o perigo. Saiba como escapar de um
engano.
Dor de cabeça
Dos
10 aos 50 anos, ela geralmente é causada por alterações na visão ou nos
hormônios — esta, mais comum entre as mulheres. E esses são justamente
os casos em que a automedicação aumenta o tormento. "Isso porque, quando
mal usado, o analgésico transforma uma dorzinha esporádica em diária",
avisa o neurocirurgião José Oswaldo de Oliveira Júnior, chefe da Central
da Dor do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. Acima dos 50 anos, as dores de cabeça merecem ainda mais atenção: é que podem estar relacionadas à hipertensão.
Dor de garganta
Costuma ser causada pela amigdalite
de origem bacteriana ou viral. "Se não for tratada, a amigdalite
bacteriana pode exigir até cirurgia", alerta o otorrinolaringologista
Marcelo Alfredo, do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André,
na Grande São Paulo. A do tipo viral baixa a imunidade e, em 10% dos
casos, vira bacteriana. Portanto, pare de banalizar essa dor. Se ela
parece nunca ir embora, abra os olhos: certos tumores no pescoço também
incomodam e podem ser confundidos, pelos leigos, como simples infecções.
Dor no peito
"Quando
o coração padece, a dor é capaz de se espalhar na direção do estômago,
do maxilar inferior, das costas e dos braços", descreve o cardiologista
Paulo Bezerra. Em geral, isso acontece quando o músculo cardíaco recebe
menos sangue devido a um entupimento
das artérias. "A sensação no peito é como a de um dedo apertado por um
elástico. E piora com o estresse e o esforço físico", explica Bezerra.
Não dá para marcar bobeira em casos assim: o rápido diagnóstico pode
salvar a vida.
Muita
gente não hesita em culpar as varizes — às vezes injustamente. "A causa
pode ser outra", avisa a fisiatra Lin Tchia Yeng, do Hospital das Clínicas,
em São Paulo. Uma artrose, por exemplo, provoca fortes dores nos pés e
nos joelhos. Se não for tratada, piora até um ponto quase sem retorno.
"Em outros indivíduos a dor vem das pisadas", explica Lin. "É quando há
um erro na posição dos pés ou se usam calçados inadequados." Sem contar
doenças como hipotireoidismo e diabete, que afetam a circulação nos
membros. "Há medicamentos específicos para resolver a dor nesses casos",
diz a reumatologista Solange Mandeli da Cunha, do Centro de Funcionalidade da Dor, em São Paulo.
Dor abdominal
Uma
dica: o importante é saber onde começa. Uma inflamação da vesícula
biliar começa no lado direito da barriga, mas tende a se irradiar para
as costas e os ombros. Contar esse trajeto ao médico faz diferença. "Se a
pessoa não for socorrida, podem surgir perfurações nessa bolsa que
guarda a bile fabricada no fígado", diz o cirurgião Heinz Konrad. Nas
mulheres, cólicas constantes — insuportáveis no período menstrual —
levantam a suspeita de uma endometriose,
quando o revestimento interno do útero cresce e invade outros órgãos.
"Uma em cada dez mulheres que vivem sentindo dor no abdômen tem essa
doença", calcula a anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Dor nas costas
A
má postura e o esforço físico podem machucar a coluna lombar. "É uma
dor diária, causada pelo desgaste físico e pelo sedentarismo", diz o
geriatra Alexandre Leopold Busse, do Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo. Conviver com o tormento? Essa é a pior saída. A dor nas
costas, além de minar a qualidade de vida, pode escamotear o câncer no
pâncreas também. "No caso desse tumor, surge uma dor lenta e
progressiva", ensina a fisiatra Lin Tchia Yeng. Por precaução, aprenda
que a dor nas costas que não some em dois dias sempre é motivo de
visitar o médico.
Dor no corpo
Se ele vive moído, atenção às suas emoções. A depressão,
por exemplo, não raro desencadeia um mal-estar que vai da cabeça aos
pés. "O que dá as caras no físico é o resultado da dor psicológica", diz
Alaide Degani de Cantone, coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Saúde,
em São Paulo. "Quem tem dores constantes aparentemente sem causa e que
vive triste, pessimista, sem ver prazer nas coisas nem conseguir se
concentrar direito pode apostar em problemas de ordem emocional", opina o
psiquiatra Miguel Roberto Jorge, da Universidade Federal de São Paulo.
E, claro, essas dores que no fundo são da alma também precisam de
alívio.
domingo, 15 de abril de 2012
Sete dores que não devem ser menosprezadas
Levante a mão quem
nunca se automedicou por causa de uma dor. É corriqueiro achar que ela é
um mal passageiro, entupir-se de analgésico e esperar até ela se tornar
insuportável para ir ao médico. Estudos indicam que 64% dos brasileiros
tentam se livrar da sensação dolorosa sem procurar ajuda. Foi assim com
a auxiliar de dentista Antônia Sueli Ferreira, 45 anos, de São Paulo.
"Tomei muito remédio durante três meses por causa de cólicas fortíssimas
e do que parecia ser uma lombalgia. Só depois fui ao médico. E então
descobri que tinha um câncer colorretal. Tive de ser submetida às
pressas a uma cirurgia. Por sorte, estou bem", conta. Segundo o
cirurgião Heinz Konrad, do Centro para Tratamento da Dor Crônica, em São
Paulo, "a dor é um mecanismo de proteção que avisa quando algo nocivo
está acontecendo". A origem do malestar? Eis a questão — e, para ela,
precisamos ter sempre uma resposta. "Na dúvida, toda dor precisa ser
checada, ainda mais aquela que você nunca sentiu igual", aconselha o
cardiologista Paulo Bezerra, do Hospital Santa Cruz, em Curitiba. Aqui, selecionamos sete dores que você nunca deve ignorar.
Dor nas pernas





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