Médicos que realizam abortos em
situações previstas pela lei afirmam sofrer preconceito entre os
profissionais da saúde. Com a liberação do procedimento em fetos com
anencefalia, são três as situações em que a prática não é considerada
crime - isso vale também para gestações resultantes de estupro e quando a
vida da grávida corre risco.
'Existe dificuldade do médico em trabalhar com o aborto, uma morte provocada. Muitos não fazem o procedimento e os que fazem, por serem sempre os mesmos, acabam marcados', afirma a ginecologista e obstetra Rosiane Mattar, professora livre-docente do Departamento de Obstetrícia da Unifesp. 'Não faço porque gosto, muito pelo contrário. Faço por ser um direito (abortamento legal) da mulher', completa a médica.
Outro que afirma receber olhares condenatórios de colegas por realizar abortos legalizados é o ginecologista, obstetra e coordenador do Ambulatório de Violência Sexual e Aborto Legal do Hospital Pérola Byington, Jefferson Drezett. Segundo ele, além da falta de conhecimento sobre a legislação, 'convicções pessoais, morais e religiosas' são responsáveis pelo preconceito. 'Em tese não deveria ser. Por isso, não há motivo para atender uma paciente e julgá-la ou discriminá-la ', diz Drezett, que também integra do grupo de estudo sobre aborto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
A questão é tão delicada que em março, pouco depois de assumir a Secretaria de Políticas para Mulheres, a ministra Eleonora Menicucci criticou a falta de médicos nos serviços que fazem aborto legal no País. Ela observou que muitos centros funcionam apenas na teoria porque profissionais se recusam a fazer o procedimento, alegando objeção de consciência.
'O que há são diferenças de convicções', diz o secretário da Comissão de Violência Sexual e Interrupção da Gestação Prevista por Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Cristião Fernando Rosas. Ele participou, em 1989, do primeiro programa municipal sobre aborto, mas não acredita que hoje os profissionais que fazem o procedimento sofram retaliações. 'Eu faço o procedimento. Entendo que em 1989 existia a insegurança ética, judicial e técnica sobre o aborto. Tudo isso colaborava para o preconceito. Agora, não.'
Estudo. Pesquisa da Febrasgo indica que 2 em cada 10 ginecologistas ou obstetras são favoráveis à descriminalização do aborto. 'Mas a parcela contrária ainda faz mais e muito barulho. A discussão é abafada por esse grupo', afirma Drezett.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o País tem cerca de 206 mil médicos especialistas. Desses, quase 25% são pediatras, obstetras ou ginecologistas.
'Existe dificuldade do médico em trabalhar com o aborto, uma morte provocada. Muitos não fazem o procedimento e os que fazem, por serem sempre os mesmos, acabam marcados', afirma a ginecologista e obstetra Rosiane Mattar, professora livre-docente do Departamento de Obstetrícia da Unifesp. 'Não faço porque gosto, muito pelo contrário. Faço por ser um direito (abortamento legal) da mulher', completa a médica.
Outro que afirma receber olhares condenatórios de colegas por realizar abortos legalizados é o ginecologista, obstetra e coordenador do Ambulatório de Violência Sexual e Aborto Legal do Hospital Pérola Byington, Jefferson Drezett. Segundo ele, além da falta de conhecimento sobre a legislação, 'convicções pessoais, morais e religiosas' são responsáveis pelo preconceito. 'Em tese não deveria ser. Por isso, não há motivo para atender uma paciente e julgá-la ou discriminá-la ', diz Drezett, que também integra do grupo de estudo sobre aborto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
A questão é tão delicada que em março, pouco depois de assumir a Secretaria de Políticas para Mulheres, a ministra Eleonora Menicucci criticou a falta de médicos nos serviços que fazem aborto legal no País. Ela observou que muitos centros funcionam apenas na teoria porque profissionais se recusam a fazer o procedimento, alegando objeção de consciência.
'O que há são diferenças de convicções', diz o secretário da Comissão de Violência Sexual e Interrupção da Gestação Prevista por Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Cristião Fernando Rosas. Ele participou, em 1989, do primeiro programa municipal sobre aborto, mas não acredita que hoje os profissionais que fazem o procedimento sofram retaliações. 'Eu faço o procedimento. Entendo que em 1989 existia a insegurança ética, judicial e técnica sobre o aborto. Tudo isso colaborava para o preconceito. Agora, não.'
Estudo. Pesquisa da Febrasgo indica que 2 em cada 10 ginecologistas ou obstetras são favoráveis à descriminalização do aborto. 'Mas a parcela contrária ainda faz mais e muito barulho. A discussão é abafada por esse grupo', afirma Drezett.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o País tem cerca de 206 mil médicos especialistas. Desses, quase 25% são pediatras, obstetras ou ginecologistas.




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